quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Transparente, invisível.

Lembra do nosso trato? Sim aquele de nunca fazermos mal um para o outro e de sempre deixar tudo mais as claras possível? Pois então, não entendo sua atitude.

Hoje me senti como o psicólogo social Fernando Braga da Costa se sentiu quando  vestiu o  uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo.  

Braga defendeu em sua tese de mestrado o conceito de “invisibilidade pública”, isto é as pessoas estão condicionadas a uma percepção e condicionamento da divisão social onde não conseguem enxergar as pessoas e sim somente a função que elas exercem e a condição social. Ninguém durante o período que ele passou como gari o reconheceu.

"Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão"

Para algumas pessoas simplesmente nos tornamos invisíveis dependendo da situação.

Porém o que sinto é  uma  “invisibilidade privada”.  Tornei-me invisível para quem eu mais quero bem. E simplesmente estão me privando de saber o porquê disso. 

Não sei se fiz algo de errado, não sei se está acontecendo com a pessoa.   Estão me privando de ter respostas, de saber de fato o que está acontecendo.

Quando acordamos de ser transparente não me referia em ser invisível!  Eu te enxergo, só não queria acreditar no que vejo...

Fabricio Kipper

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